
Em toda sua história, o CPV esteve vinculado aos movimentos sociais. Desde o seu nascimento, em 1973, companheiros militantes fizeram da entidade um espaço de aglutinação de documentos e idéias. A necessidade de contribuir para o fortalecimento da organização da classe trabalhadora tornou-se sua própria razão de ser.
Desde o ressurgimento das lutas operárias e populares no final dos anos 1970, o CPV pautou sua atuação a partir de estreitos vínculos com diversos movimentos populares de bairro, pastorais sociais, CEBs, oposições sindicais em São Paulo e no restante do país. Assim foi até o final da década de 1980, participando ativamente na construção da CUT e na tomada de inúmeros sindicatos das mãos dos antigos pelegos vinculados ao autoritarismo.
Nos anos 1980, o CPV percorreu um ciclo de ascensão e declínio, concomitante com a evolução dos movimentos populares e sindicais. Nesse período, o CPV deu a sua contribuição com o trabalho de então, sua infraestrutura e, por vezes, seu dinheiro e seu nome, na criação e organização de oposições sindicais na cidade e no campo, que redundou na criação da CUT, e deixou a sua marca no fortalecimento das organizações classistas de então no embate com as posições políticas moderadas.
O refluxo dos movimentos sociais na década de 1990, a ascensão do neoliberalismo, a dificuldade de readequação do papel da entidade às mudanças da conjuntura, ao lado das dificuldades de financiamento de seu trabalho, levou o CPV a diminuição significativa das atividades, reduzindo o seu orçamento e seu pessoal. A ponto de não existir nenhum funcionário contratado e sobrevivendo graças ao trabalho de um corpo de voluntários.
Durante a década de 1980, o CPV foi impulsionador, com outras entidades, da realização de vários encontros regionais e nacionais entre centros de documentação popular. Trocava-se experiências de organização de acervo e de apoio às lutas populares. O CPV realizava regularmente intercâmbios com diversas entidades da América Latina, as quais desenvolviam atividades de documentação e comunicação popular. Com esse acúmulo, o CPV assume o papel de irradiador e difusor de informações e materiais populares produzidos pelos grupos e entidades articulados e participantes destes encontros.
O CPV era constituído da seguinte forma:
• Setor de documentação (armazenador e produtor de informação e capacitador na área de documentação);
• Livraria popular (divulgador e distribuidor de materiais populares);
• Gráfica (produções próprias do CPV e prestador de serviços subsidiados para movimentos populares e sindicais de São Paulo);
• Setor de apoio direto às lutas (prestar assessoria aos movimentos populares; participação em todos os encontros de oposições sindicais em nível local e nacional; pré-formação da Central Única dos Trabalhadores; encontros de pastorais, eleições sindicais; encontros de trabalhadores rurais e de grupos pelos direitos humanos e outros);
• Setor de comunicação popular (produção de matérias escritos e audiovisuais, bem como cursos de formação em comunicação popular, especialmente boletins impressos em mimeógrafos nas comunidades populares, grupos de fábricas e sindicatos);
• Setor de computação.
O CPV sempre esteve comprometido com ações necessárias para o fortalecimento e estruturação das lutas populares. Neste propósito, acompanhou a ascensão dos movimentos de organização dos trabalhadores (CUT, PT e outros). Durante os anos de 1970, 1980 e 1990, lutava pela organização de movimentos independentes de governos (autônomos em relação às estruturas do Estado), partidos políticos, entidades religiosas, democráticos nos estatutos e nas práticas, e que buscassem a construção de uma consciência de classe e uma sociedade igualitária.
O CPV atualmente não possui equipe técnica, apenas mantém um atendente para visitas agendadas. Tem sido gerido por uma diretoria eleita a cada três anos, um conselho fiscal e um corpo de sócios e colaboradores.
CPV, janeiro de 2011.
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