CPV - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro
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Um pouco de nossa história

O CPV já tem quase 40 anos de existência. Talvez – quem sabe? –, você tenha até participado ou acompanhado essa trajetória.

O Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro, originalmente Centro Pastoral Vergueiro (CPV), foi fundado em 1973, anos de chumbo da ditadura militar. A ideia da criação do CPV veio de frades dominicanos na região sudeste de São Paulo. Frei Giorgio Callegari aglutinou em torno do projeto CPV um grupo de dominicanos, seminaristas, estudantes universitários, professores, profissionais liberais e militantes de organizações de esquerda. Reuniam-se na comunidade dominicana situada à Rua Vergueiro.

Atualmente, o CPV está sediado à Rua São Domingos, 224 - Bela Vista, mas nasceu junto à Capela Cristo Operário. Neste espaço existiu a primeira experiência de autogestão operária no Brasil, a UNILABOR, uma fábrica de móveis modernos com produção e direção coletiva, fundada pelo frei dominicano João Batista, em setembro de 1954. Ali, os jardins foram projetados por Burle Marx, os vitrais da Paróquia são de Volpi, as vestimentas usadas pelos frades nas missas, desenhadas por Flávio Império, e com participação de outros artistas e profissionais progressistas.

Assim nasce o CPV, como utopia de pessoas engajadas para os quais a ação pastoral, social e política deveriam estar a serviço da transformação e da liberdade. Desde de sua fundação, o CPV assumiu o compromisso de preservar a memória de resistência e organização popular, mas não para armazená-la apenas, e sim para divulgá-la para que servisse de instrumento de transformação; e do produto dessas ações, novos registros da luta enriqueciam o acervo.

Nas décadas de 1970 e 1980, o CPV apoiou a organização de movimentos independentes de governos, Estado, partidos políticos, entidades religiosas, que buscassem a construção da consciência de classe e uma sociedade igualitária, sem exploração.
O CPV estava voltado para setores de oposições sindicais urbanos e rurais, de São Paulo e de outros estados, grupos de alfabetização e supletivo, pastorais, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), grupos de bairros. A atuação era engajada e o acervo é resultado dessas ações e relações.

Nesse período, o CPV foi aglutinador, irradiador e difundidor de informações e materiais populares produzidos por grupos, entidades e centros de documentação de todas as regiões do país. Foi criado um serviço chamado Núcleo de Correspondência, para realizar envios mensais, pelo correio, de informações pré-selecionadas em nossa documentação e livraria, de acordo com a temática de interesse do assinante, quando ainda o computador era inacessível e a Internet só existia no Pentágono.

Hoje, preservar e difundir a memória da luta operária e popular de resistência é arma essencial a serviço da superação da exploração e de suas formas renovadas de atuação.

Os militantes, historiadores e pesquisadores encontram para consulta no CPV documentos de vários gêneros (textual, bibliográficos, iconográficos e sonoros). Todos, frutos da ação e pensamento dos trabalhadores e seus aliados em busca da transformação social. Um acervo constituído de aproximadamente 100 mil documentos.

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